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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

As metáforas e o nosso cérebro

Sabias que as metáforas provocam regiões sensoriais no nosso cérebro?


   As Metáforas e a linguagem figurativa estão profundamente entrelaçadas no tecido da comunicação humana. Mas como é que o nosso cérebro traduz essas metáforas?
Há um longo debate entre os neurocientistas em relação a esta questão. Vamos observar a palavra "podre", que significa literalmente "estragado", mas cujo uso metafórico tem expandido  a sua definição para incluir mau ou desagradável. Estamos tão habituados a esses outros usos que podemos até não perceber que eles são metáforas.
    Um argumento sustenta que o cérebro naturalmente não entende o significado das metáforas, e é só por meio da experiência que ele absorve que certas palavras têm vários significados que vão além da definição literal. Passamos a compreender que "podre" pode significar algo mau, embora relacionado a coisas, e o nosso cérebro aprende a alternar entre as definições dependendo do contexto.
  Uma segunda possibilidade é que, quando o cérebro é apresentado com a palavra "podre" num contexto metafórico, ele usa as suas experiências sensoriais de coisas podres - por exemplo, o cheiro de ovos estragados - e trabalha numa definição figurativa da palavra com base nessas memórias.
A neurologista Krish Sathian, da Emory University, concentrou-se em como o cérebro lida com apenas um tipo específico de sentido relacionado com metáforas.
  Esta neurologista e os seus colegas solicitaram que sete estudantes universitários distinguissem entre diferentes texturas enquanto os seus cérebros eram escaneados usando ressonância magnética funcional. Isto permitiu-lhes mapear as regiões cerebrais de cada sujeito quando tomavam conhecimento de cada textura. De seguida, mapearam os cérebros dos estudantes enquanto ouviam uma torrente de metáforas textuais e os seus homólogos literais: "era uma situação cabeluda", por exemplo.
As regiões de tratamento da linguagem do cérebro tornaram-se ativas, independentemente de os voluntários ouvirem as frases literais ou as metáforas. Mas as metáforas textuais também ativaram o opérculo parietal, uma região do cérebro envolvida na sensação de diferentes texturas através do toque. Essa parte do cérebro não se ‘acende’ quando ouve uma frase literal expressar o mesmo significado que a metáfora.
Estes resultados sugerem uma forte ligação entre a nossa compreensão de metáforas e a nossa percepção sensorial, embora mostre que a nossa capacidade de compreender metáforas realmente depende do opérculo parietal. Sathian diz que a sua próxima experiência vai colocar isso mais diretamente para o teste desabilitando temporariamente esta parte do cérebro e, em seguida, um teste para ver quão bem os indivíduos podem, então, compreender essas metáforas.


Nada melhor que sonhar...

A melhor forma de superar um trauma é sonhar
Fase de sono REM retira peso de memórias difíceis

    Segundo um estudo realizado na Universidade da Califórnia - Berkeley, nos Estados Unidos, sonhar é uma espécie de terapia nocturna porque acontece durante um estágio do sono conhecida como REM – na qual está desligada a química do cérebro que provoca ansiedade – que nos permite processar emoções, retirando o peso das memórias difíceis. 

    A investigação, liderada por Matthew Walker, vem explicar porquê que pessoas que sofrem de stresse pós-traumático recuperam facilmente e não costumam ter pesadelos. O sono ajuda-nos a memorizar e a regular o humor. A equipa norte-americana focou a importância da fase REM, na qual as memórias são reactivadas, colocadas em perspectiva e integradas.
Para o estudo, foram seleccionados 35 adultos, posteriormente divididos em dois grupos. Cada equipa tinha como missão ver 150 imagens de grande carga emocional, duas vezes por dia, durante um intervalo de 12 horas. Enquanto isso, o cérebro dos voluntários era monitorizado por ressonância magnética.

    O horário dos grupos variava: uns viam as imagens de manhã e à noite e os outros, de tarde e pela manhã, após uma noite de sono. Os últimos apresentaram uma queda significativa ao nível de reacção emocional, revelando uma diminuição de actividade cerebral, na zona que processa emoções. A actividade cerebral durante o sono foi gravada e revelou a queda de um dos principais químicos associados ao stresse (norepinefrina).

    Os resultados, publicados na «Current Biology», indicam que, ao processar emoções sem este químico, acordamos no dia seguinte com a carga emocional aliviada de experiências perturbadoras.




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O que é e o que não é um rosto?

Neurocientistas explicam como é que o cérebro decide o que é real

Muitas vezes quando olhamos para uma coisa automaticamente dizemos que tem a forma de algo, por exemplo, de certeza que já te aconteçeu olhares para uma nuvem e dizeres que essa nuvem pareçe um pássaro, um cão, ou outra coisa qualquer... Então e quando olhamos para algo e dizemos que se pareçe com uma cara? O que se segue abaixo explica como é que o nosso cerébro decide se o que vemos se pareçe mesmo com uma cara ou não.

    Um novo estudo de investigadores do MIT revela a atividade cerebral subjacente à nossa capacidade de fazer essa distinção. No lado esquerdo do cérebro, o fusiforme gyrus (uma área há muito tempo associada ao reconhecimento de faces humanas) cuidadosamente calcula o quanto uma imagem é parecida com uma cara. O fusiforme gyrus direito surge depois para usar essas informações e tomar uma decisão rápida, categórica se o objeto é, na verdade, um rosto.
Esta distribuição do trabalho é um dos primeiros exemplos conhecidos dos lados esquerdo e direito do cérebro a assumirem papéis diferentes em tarefas de processamento visual de alto nível.

    Muitos estudos anteriores mostraram que os neurónios no gyrus fusiforme, localizado na parte inferior do cérebro, reagem preferencialmente às faces. A equipa de cientistas decidiu então investigar como essa região do cérebro decide o que é e não é uma cara, especialmente em casos onde um objeto assemelha-se muito a um rosto.


     Para realizar a investigação, os cientistas criaram um contínuo de imagens que incluíam umas que nada se pareciam com caras e outras que eram verdadeiras faces. Em seguida, a equipa usou ressonância magnética funcional (fMRI) para digitalizar os cérebros dos participantes à medida que categorizavam as imagens. Inesperadamente, os neurocientistas encontraram padrões de actividade diferentes em cada lado do cérebro: do lado direito, os padrões de ativação dentro gyrus fusiforme permaneceram bastante consistentes para todas as imagens do rosto humano verdadeiro, mas mudou drasticamente para todas as imagens que não o eram, independentemente do quanto se assemelhavam a uma cara. Isto sugere que o lado direito do cérebro está envolvido em fazer a declaração categórica se uma imagem é ou não um rosto.
Entretanto, na região análoga do lado esquerdo do cérebro, os padrões de atividade mudaram gradualmente à medida que as imagens se tornavam mais parecidas com caras, e não havia nenhuma divisão clara entre faces verdadeiras e falsas. A partir daí, os investigadores concluíram que o lado esquerdo do cérebro divide as imagens em escalas de quão semelhantes são com rostos, mas sem as atribuir a uma categoria ou outra.

Os cientistas descobriram que o lado esquerdo faz primeiro o seu trabalho e, em seguida, passa informações para o lado direito. 



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A chamada "Amnésia Infantil"... lá está porquê que não me lembro daquilo...

Ás vezes ouvimos os nossos familiares falarem de algumas das nossas peripécias em bebés... "Ahh...lembras-te quando ias mexer nos vasos da tua mãe, e punhas a terra na boca, e depois ias buscar o sabonete para limpares a terra?" e nós..."Não."... Depois ficamos a pensar "como é que não me lembro dessas coisas?"


Pois é. Fica a questão: Porquê que não temos lembranças de quando éramos bebés?



É consenso entre os especialistas que os primeiros anos de vida são fundamentais na formação de cada indivíduo, mas apesar da importância que eles têm, não é possível lembrar do que vivemos antes de completar 30 meses, ou dois anos e meio de idade. Ainda que as experiências vividas na primeira infância possam resultar em traumas ou em associações afetivas que duram para o resto da vida, ninguém é capaz de identificar lembranças de quando era bebé.
De acordo com André Frazão, coordenador do laboratório de cognição do Instituto de Biociências da USP, existem diversas causas para o esquecimento dos primeiros anos. O fenómeno chamado de amnésia infantil deve-se, principalmente, às constantes mudanças estruturais que ocorrem no cérebro das crianças. Nos primeiros anos de vida, o sistema nervoso central ainda não está totalmente desenvolvido. “Nascemos com um encéfalo que tem cerca da metade do tamanho que terá no adulto, isso significa que a estrutura vai mudar, vão aparecer novas células e novas conexões neuronais”, diz Frazão.
Mas o encéfalo ainda pouco desenvolvido não significa que os conhecimentos a respeito do mundo não sejam registados, apenas que eles são arquivados de outra forma, em outro contexto e com outras referências, transformando-se numa informação à qual não podemos ter mais acesso quando adquirimos a linguagem e interpretamos o mundo com outros métodos. Mas as memórias dos primeiros meses continuam a influenciar-nos inconscientemente na vida adulta. “Por exemplo, o dia que a sua mãe lhe deu um cachorro com um ano de idade e você amou: aquele evento você não consegue identificar, mas as consequências afetivas de criar um vínculo com o cachorro são importantes nos próximos vínculos que você cria na vida”, explica o especialista.
Frazão ainda ressalta que a amnésia infantil se refere à memória declarativa, a memória que utilizamos para relatar eventos ou para “reviver” situações. Mas aprendizagens como andar e falar são outro tipo de memória, que não se perde com a idade. E mesmo eventos não identificáveis pontualmente transformam a criança, já que “a construção da vida é uma linha”, na qual os primeiros acontecimentos têm relação com os posteriores, diz o pesquisador.

Está explicado.