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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O que é e o que não é um rosto?

Neurocientistas explicam como é que o cérebro decide o que é real

Muitas vezes quando olhamos para uma coisa automaticamente dizemos que tem a forma de algo, por exemplo, de certeza que já te aconteçeu olhares para uma nuvem e dizeres que essa nuvem pareçe um pássaro, um cão, ou outra coisa qualquer... Então e quando olhamos para algo e dizemos que se pareçe com uma cara? O que se segue abaixo explica como é que o nosso cerébro decide se o que vemos se pareçe mesmo com uma cara ou não.

    Um novo estudo de investigadores do MIT revela a atividade cerebral subjacente à nossa capacidade de fazer essa distinção. No lado esquerdo do cérebro, o fusiforme gyrus (uma área há muito tempo associada ao reconhecimento de faces humanas) cuidadosamente calcula o quanto uma imagem é parecida com uma cara. O fusiforme gyrus direito surge depois para usar essas informações e tomar uma decisão rápida, categórica se o objeto é, na verdade, um rosto.
Esta distribuição do trabalho é um dos primeiros exemplos conhecidos dos lados esquerdo e direito do cérebro a assumirem papéis diferentes em tarefas de processamento visual de alto nível.

    Muitos estudos anteriores mostraram que os neurónios no gyrus fusiforme, localizado na parte inferior do cérebro, reagem preferencialmente às faces. A equipa de cientistas decidiu então investigar como essa região do cérebro decide o que é e não é uma cara, especialmente em casos onde um objeto assemelha-se muito a um rosto.


     Para realizar a investigação, os cientistas criaram um contínuo de imagens que incluíam umas que nada se pareciam com caras e outras que eram verdadeiras faces. Em seguida, a equipa usou ressonância magnética funcional (fMRI) para digitalizar os cérebros dos participantes à medida que categorizavam as imagens. Inesperadamente, os neurocientistas encontraram padrões de actividade diferentes em cada lado do cérebro: do lado direito, os padrões de ativação dentro gyrus fusiforme permaneceram bastante consistentes para todas as imagens do rosto humano verdadeiro, mas mudou drasticamente para todas as imagens que não o eram, independentemente do quanto se assemelhavam a uma cara. Isto sugere que o lado direito do cérebro está envolvido em fazer a declaração categórica se uma imagem é ou não um rosto.
Entretanto, na região análoga do lado esquerdo do cérebro, os padrões de atividade mudaram gradualmente à medida que as imagens se tornavam mais parecidas com caras, e não havia nenhuma divisão clara entre faces verdadeiras e falsas. A partir daí, os investigadores concluíram que o lado esquerdo do cérebro divide as imagens em escalas de quão semelhantes são com rostos, mas sem as atribuir a uma categoria ou outra.

Os cientistas descobriram que o lado esquerdo faz primeiro o seu trabalho e, em seguida, passa informações para o lado direito. 



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Parkinson

Cientistas corrigem defeito genético

Células da pele de doentes convertidas em neurónios abrem portas a novos tratamentos

    Investigadores da Universidade de Buffalo conseguiram converter em neurónios células da pele de um doente com mutações no gene Parkina, causa genética que estará na origem de 10% dos casos da doença que afecta 20 mil portugueses. Nestes neurónios, escrevem na “Nature Communications”, foi possível introduzir um gene normal e reverter o defeito que leva à morte dos neurónios que produzem dopamina, crucial na actividade dos músculos.
     Tiago Fleming Outeiro, investigador nesta área a liderar um departamento de doenças neurodegnerativas na Universidade de Gotinga, destaca ao i terem sido usados neurónios derivados de células de doentes. Esta hipótese surgiu em 2007, quando se demonstrou que era possível converter células humanas adultas em células indiferenciadas e obter células diferentes das de origem, como se fossem células embrionárias. Até aqui era impensável estudar ao nível molecular neurónios de um doente vivo. “Apesar de serem casos raros, permitiu perceber que há uma ligação clara entre os níveis de dopamina, o neurotransmissor que falta nos doentes de Parkinson, e a Parkina. E o interessante é que, no laboratório, conseguiram corrigir o problema introduzindo Parkina funcional”, diz Outeiro, que também está a fazer estudos com este tipo de células pluripotentes induzidas. Usando o novo modelo, os cientistas perceberam ainda que as mutações impedem o controlo da produção de uma substância que degrada a dopamina e surge aumentada nos doentes, algo que poderá ser corrigido com novos medicamentos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O nosso hálito pode fazer milagres...

Analisador de hálito revela doenças antes que os sintomas apareçam

Exame do hálito:
    O futuro do diagnóstico médico pode estar num aparelho analisador do nosso hálito.
    Diversas pesquisas têm indicado que o faro dos cães é preciso o suficiente para detectar se uma pessoa está doente ou não. Com base nestas evidências, os cientistas querem agora desenvolver um aparelho multiuso, capaz de fazer diagnósticos reais a partir do hálito. 
Alteração no metabolismo:
    O desenvolvimento mais recente na área acaba de ser apresentado pela equipa da Dra. Fariba Assadi-Porter, da Universidade Wisconsin-Madison (EUA).
O aparelho, simples, mas muito sensível, é capaz de distinguir entre um estado sadio e uma situação anormal do metabolismo da glicose sem precisar de uma amostra de sangue - apenas analisando o hálito da pessoa.
    Muitas doenças, incluindo diabetes, cancro, além das infecções, alteram o metabolismo do corpo de formas muito características. O que as pesquisas mostram é que essas alterações bioquímicas podem ser detectadas pelo hálito muito antes que os sintomas tipicos da doença apareçam.
(Mas como?)
Alguns estudos mostram que o hálito pode indicar alguns estados patológicos apenas algumas horas depois de o quadro se ter instalado, como no caso de algumas infecções.
"Com esta metodologia, nós otimizamos técnicas para rastrear rotas metabólicas que são perturbadas pelas doenças," disse a Dra. Fariba. "Ela é barata, rápida e o mais sensível método de diagnóstico [desenvolvido até agora]."
Avaliação dos tratamentos
     O analisador de hálito conseguiu detectar em animais sintomas metabólicos similares aos que ocorrem em mulheres com síndrome do ovário policístico, uma desordem endócrina que causa cistos no ovário levando à infertilidade.
Umas das vantagens dos exames de análise do hálito é que eles avaliam o funcionamento do corpo inteiro com uma única medição. Além de simplificar o diagnóstico, um aparelho assim, quando totalmente desenvolvido, poderá dar um feedback rápido na eficácia dos tratamentos adoptados.

Isótopos de carbono
   A tecnologia fundamenta-se no facto de que o corpo, sob diferentes condições, usa diferentes fontes para produzir energia.
"O corpo muda a sua fonte de energia. Quando estamos saudáveis, nós usamos a comida que comemos," explica a Dra. Fariba. "Quando ficamos doentes, o sistema imunológico assume o controlo e começa a separar proteínas para fazer anticorpos, utilizando-as como fonte de energia".
Esta mudança, passando dos açúcares para as proteínas, aciona rotas bioquímicas diferentes, o que resulta em alterações distintas nos isótopos de carbono.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Laser Leap

Boas notícias para quem tem medo de agulhas! Li numa revista do Correio da Manhã um reportagem que falava  de uma inovação desenvolvida por investigadores da Universidade de Coimbra (ah pois é! :-P ): Uma seringa a laser (LaserLeap). É uma seringa que permite administração "rápida e eficaz" de fármacos através da pele, e que venceu o Photonics West 2012, um dos maiores encontros internacionais de Fotónica, que decorreu nos Estados Unidos.

Aqui vos deixo um video com uma breve apresentação desta técnica, que certamente será bastante útil e menos dolorosa :)

Cancro

Investigadores descobrem como se alimentam as células cancerígenas com falta de oxigénio


À um tempo publiquei um post que explicava como é que as células cancerígenas se proliferavam. Então, e as células cancerigenas que não têm oxigénio? Como é que elas proliferam? 
Neste post vão poder perceber como.

Uma equipa de investigadores internacionais, que integra o português Paulo Gameiro ligado à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, descobriu como se alimentam as células cancerígenas quando escasseia o oxigénio, abrindo assim novas perspetivas ao tratamento do cancro.
"Esta descoberta revela-se importante para desenvolver terapias contra células cancerígenas que experienciem falta de oxigénio (tal como no interior do tumor) e que ainda assim crescem descontroladamente", explicou o investigador à agência Lusa.
A divulgação da descoberta foi feita a 23.11.11 num artigo publicado na revista científica Nature, em resultado de dois anos e meio de investigação com culturas de células, que terá como próximo passo o aprofundamento das pesquisas in vivo, nos próprios tumores.
As células em ambiente de baixo teor de oxigénio (hipóxia) utilizam um aminoácido, a glutamina, como nutriente para poder produzir gordura, fenómeno indispensável para o crescimento celular.
Na investigação, segundo Paulo Gameiro, foi observado que aquele aminoácido, em condições de baixo teor de oxigénio, era consumido através de uma via metabólica, passando a ser o nutriente principal para as células cancerígenas, substituindo a comum glucose (açúcar).
"Um dilema na biologia do cancro, e que motivou este estudo, era o de saber que mecanismos são escolhidos pelas células cancerígenas que lhes permitem responder à falta de nutrientes e continuar a proliferar, mesmo em condições de falta de oxigénio", observou.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Amiga Oxitocina

Falando por experiência própria, a timidez é algo que nos pode prejudicar em algumas situações... Há quem tente dar a volta recorrendo ao alcool ou outras substâncias menos boas, mas a ciência é amiga. O que quero dizer com isto? Sugiro que leiam o artigo a baixo apresentado! :)


"Uma equipa de investigadores canadianos, Concordia University, concluiu que a oxitocina, substância produzida em grandes quantidades durante a gravidez e também conhecida como a“hormona do amor”, se aplicada por um ‘spray’nasal, pode ajudar a tornar o visado, no caso de uma pessoa tímida, a sentir-se mais extrovertido. O estudo foi publicado na última edição do«Psychopharmacology».

A oxitocina é uma substância que actua como neurotransmissor, além de estar relacionada com padrões sexuais. Nas mulheres é libertada em grandes quantidades durante o parto, e em resposta à estimulação do mamilo durante a amamentação.

No entanto, os cientistas ainda desconhecem o mecanismo pelo qual a substância leva a este comportamento pró-social. Supõem que seja por "alterar a forma como os sinais sociais no entorno externo são processados, codificados e interpretados”.

A equipa levou a cabo um estudo que envolveu uma centena de homens e mulheres saudáveis, entre os 18 e 35 anos, sem antecedentes de doença psiquiátrica, patologias físicas, ou sob medicação. Também não tinham um historial de consumo de drogas, tabagismo ou gravidez.

Os participantes receberam 24 doses de oxitocina em 'spray', administrada como um placebo. Esta hormona amplia traços de personalidade como a qualidade, a confiança, o altruísmo e a abertura a novas experiências, facilitando e incentivando a comportamentos sociais, por a pessoa se sentir mais extrovertida e confiante.

Segundo o artigo publicado, “não existem efeitos secundários, a não ser um pouco de irritação nasal, mas apenas registada numa pequena percentagem de pessoas. No entanto, ainda não são conhecidos os efeitos associados ao uso crónico", refere. "

Se assim o é, pessoal que diz que apenas com umas cervejolas fica desinibido, acabou-se a desculpa :-P O nosso corpo é mesmo um mecanismo fantástico, não fazia ideia que a oxitocina poderia atuar em tantos "campos"...  

domingo, 29 de janeiro de 2012

DNA Fingerprint


  • DNA fingerprinting é basicamente a identificação de sequências específicas no DNA humano que são altamente variáveis e, portanto, são característicos de cada pessoa. Apesar dessa variabilidade que permite a individualização há semelhanças à medida que o grau de parentesco é mais próximo, o que permite a identificação de filhos, pais, irmãos etc.
    O que se faz, na prática, é pegar o DNA, quebrá-lo com enzimas específicas, desnaturá-lo e juntá-lo a sondas específicas para as regiões variáveis (radioativas ou fotoluminescentes). Depois, esses pedaços hibridizados (com sondas ligadas às regiões do DNA que identificam) são separados por eletroforese e o resultado é obtido por exposição da eletroforese em chapa fotográfica. Quando se compara o padrão de distribuição das bandas com o de outras pessoas de referência, pode-se verificar desde paternidade até a identificação de pessoas.

    A Eletroforese, ferramenta amplamente utilizada no meio científico, é uma técnica baseada na separação de partículas num determinado gel de acordo com sua massa e carga. A eletroforese pode ser utilizada para separação de diversas moléculas orgânicas, como lipoproteínas, proteínas, RNA e DNA. O princípio da eletroforese utilizado para separação de DNA baseia-se na carga negativa global de uma porção de DNA. Portanto, iões livres, moléculas de DNA ou fragmentos de DNA numa solução podem ser separados aplicando-se uma carga eléctrica. No final do processo as cadeias de DNA estarão próximas ao cátodo (positivo), que atrai, devido à polaridade, moléculas de carga negativa. O gel de poliacrilamida forma uma malha constituida por uma rede de polímeros que permite a migração de moléculas. Sendo assim, moléculas de menor peso molecular terão mais facilidade em atravessar a malha do gel, posicionando-se assim mais próximas do cátodo; enquanto que as moleculas com maior peso apresentam maior dificuldade e posicionam-se mais próximas do ânodo. A distância que o fragmento percorreu a partir do ponto de aplicação é comparada com a distância que outros fragmentos de tamanhos conhecidos percorreram no mesmo gel.
                  Obtendo-se assim, algo deste género:



    Instrumento utilizado numa electroforese

    http://www.icb.ufmg.br/mor/pad-morf/eletroforese.htm